29.10.13

Crônica do amor eterno

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E lá estávamos nós.

Sentados na beira de um mundo que não existe, olhando para um horizonte que ninguém mais vê.

Pouco falávamos mas imaginávamos as mesmas coisas naquela simples e pura sintonia de quem já se conhece faz tempo.

Nos conhecíamos fazia tão pouco tempo. Não tivemos nenhum encontro, poucos abraços mais longos, nenhum momento de rubor. Nos encontrávamos já como melhores amigos de algumas gerações, Como se rodássemos mais rápido que o mundo entre encontros e desencontros. 

Talvez nosso primeiro contato tenha sido no Egito. Você rainha, eu plebeu a ser açoitado enquanto você observava do topo da Esfinge um mundo que ainda não lhe pertencia, apesar de todos dizerem o contrário. Um açoite mais forte do carrasco, uma lágrima que escorre do seu olho quando nossos olhares se encontram e lá estava a conexão formada por uma eternidade. A dor simultânea de dois humanos socialmente disparates. Talvez ali tenha começado o traçado que vai nos levar – será que nesse momento, será que nessa beira de mundo que não existe – para aquela frase tão mal utilizada nos dias de hoje.

Depois vem a Grécia antiga e continuamos nessa triste linha perpendicular do infininto que se cruza num único ponto/momento do universo, mas na infinidade que é um ponto jamais poderemos definir isso em anos ou dias ou meses ou até mesmo olhares. Continuamos, agora de batas brancas, você a recolher água de uma bica límpida com os seios quase à mostra e eu artista de rua em busca de uma inspiração para alguma piração que fizesse sentido aos meus estudos. Trocamos um olhar rápido e um sorriso e nunca mais nos vemos na imensidão que cerca o Pantheon. Talvez ali tenha começado um singelo sentido de alguma felicidade sem explicação e para aquele sempre sozinha.

E vamos passando pelas fases do mundo, trocando essa matéria quântica que exalamos na nossa morte e que depois transforma-se em vida novamente sempre buscando o que talvez não seja uma linha perpendicular mas sim uma espiral que há de unir-se no final das contas para tornar-se apenas uma coisa só. Rodamos o impressionismo onde pintei nua a modelo que arrancou de mim toda a vontade de qualquer outro amor, trocamos carta nas duas guerras que depois vieram, sentamos lado a lado no primeiro cinema, andamos juntos no primeiro avião, dançamos a valsa quando pensaram que a música já havia parado. 

Sobrevivemos ao Titanic, cada um correndo para um lado, para um continente distante e por aquilo que me passa na memória até tocamos nossas mãos enquanto o barco quebrava e você assumia seu lugar de vida salva.

Vivemos e viveremos dos encontros e desencontros mas finalmente, nessa beira de mundo que não existe, estamos mais próximos do que nunca estivemos. Seguro sua mão apoiada no joelho, olho nos seus olhos e dou um sorriso.

O mundo começa a fazer mais sentido agora. Não preciso lhe conhecer por que eu já lhe sei, por que de toda a eternidade até essa paisagem que nós imaginamos nós já viemos nos conhecendo. De forma devagar e espontânea, por entre lágrimas e olhares, por leves toques e esbarrões despreocupados nos trens lotados de Londres cada um em busca do seu próprio ser, por incertezas do Deja Vù constante de “eu sei quem você é, mas não te conheço”.

Sinto seu cheiro doce de mistura de frutas e penso que lhe amo.

Em voz alta você responde:

“Eu também.”

12.9.13

O homem que não sentia




No momento em que nasceu já via-se que ele não seria uma pessoa normal. Depois das 26 horas de parto onde a mãe quase morreu ele, nos braços do médico, não proferiu nenhum som. Com os olhos já arregalados, olhando o mundo a sua volta deu um primeiro suspiro e ao tapa do médico apenas respirou com mais força como se dissesse “Ei, para, já sei como faz.”
Ganhou o nome de Pedro, dado pelo fanatismo da avó que na verdade sonhava em ter um neto chamado Jesus mas a mãe, em todo o seu ateísmo negou veemente tal pedido deixando apenas Pedro nascer. Aquele que traiu, arrependeu-se e negou Cristo por três vezes.
Nunca chorou nem jamais sorriu por maior esforço que seus pais fizessem, melhor, por maior esforço que suas babás fizessem. Nunca teve pais presentes e os mesmos nunca sentiram-se na obrigação de amar aquela criança. Assim sendo teve de tudo, menos amor.
Amor que nunca sentiu falta por que, na realidade, nunca sentiu nada. Com os anos passando ganhou a consciência de que era diferente. Via seus amigos de escola rindo, brincando, enamorando, divertindo-se enquanto ele sentava-se no canto escuro e observava tudo sem interesse algum, sem sentimento algum, apenas absorvendo racionalmente todas as coisas e todas as verdades que lhe eram recebidas por seus cinco sentidos. Cinco sentidos numa mente ausente de sentimentos.
Vivia nos cantos escuros das melhores escolas com as melhores roupas, os melhores acessórios, os melhores cadernos e as melhores canetas. Aliás as duas únicas coisas que realmente se apegava. Seus cadernos e suas canetas. Enquanto sentava no seu canto escuro observando o mundo sentir escrevia tudo que via.
“Carlos bateu em Caio debaixo da árvore do pátio número dois. Caio correu chorando e gritando e Camila abraçou-lhe. Ele parou de chorar e foram de mãos dadas sorrindo até a lanchonete. Eles comeram algo que não consigo ver daqui. Por que choram e riem? Carlos está vindo para cá.”
Até aquele momento ninguém havia tentado relacionar-se com ele. De maneira nenhuma, sendo com carinho ou com raiva ou com chacota. Carlos estava sendo o primeiro. Chegou debochando de Pedro e batendo-lhe no caderno que foi ao chão. Gritava palavras como “estranho, bizarro, viado” e Pedro, nos seus 10 anos, pouco entendia o que ele queria. Mas sabia que desejava infringir-lhe dor. Tentava entender aquele momento e deixou que o primeiro soco lhe acertasse em cheio a têmpora. Sentiu a dor física enquanto ouvia Carlos rindo do seu corpo curvado. Levantou-se sem muita diferença em sua expressão e encarou seu oponente. Carlos veio para cima novamente. Em toda a sua ausência de sentimentos seus sentidos eram absurdamente aguçados. Desviou do segundo soco, agarrou o braço do outro menino, apoiou-o no banco e com um pisão dilacerou-o em três lugares diferentes. Carlos urrava, branco de medo enquanto todos da escola envolviam-se num êxtase completo de medo, horror, amor e amizade.
Pedro sentou-se e fez suas anotações.
“Carlos chora quando sente dor. Caio sorri quando sente amor.”

Depois daquele incidente a escola nunca mais foi a mesma. Ninguém nunca mais chegou perto de Pedro e até mesmo os professores tinham medo de lhe perguntar o que quer que fosse. Passou com excelência em todas as matérias menos redação pois seu professor Álvaro disse-lhe que apesar da excelente qualidade textual faltava sentimento naquilo que ele escrevia e/ou descrevia.
No final do terceiro ano letivo, aos 17, foi de ônibus para a sua formatura pois seus pais estavam em uma viagem de negócios e lá chegou, ouviu seu nome, pegou seu canudo e seu histórico escolar e encaminhou-se para a faculdade fazer a inscrição enquanto os outros alunos beijavam-se e abraçavam-se numa felicidade que ele talvez nunca fosse sentir.
Percebeu que para sobreviver nesse mundo precisava pelo menos fingir que sentia. Na faculdade de artes cênicas aprendeu a sorrir, chorar, rir e amar. Passava horas defronte ao espelho de sua casa buscando as expressões mais perfeitas que pudessem passar o sentimento mais pleno. Depois de dois anos de ensaios exaustivos viu que o mundo curvava-se a ele. Na faculdade era admirado pelo seu esforço e pelo seu amor à arte.
“Se soubessem que não tenho amor pela arte e interpreto esse amor eles achariam ainda melhor” Anotava em seu caderninho.
No seu décimo nono aniversário beijou sua primeira mulher. A lambança das línguas e a avidez daquela fêmea esfregando-se em seu corpo não era entendível. Ela jogou-o para dentro de um banheiro e ele executava alguns movimentos que havia aprendido assistindo filmes pornográficos ou Discovery Channel já que o coito é coito para qualquer mamífero. Ela desceu a mão em seu pau, ele virou-a com força, simulando raiva e tesão e ali perdeu sua virgindade sem prazer nenhum enquanto ela gemia e chorava.
Aos 21, depois de formar-se e já possuir uma certa carreira sólida em comerciais televisivos nasceu uma sensação rara dentro dele. Queria sentir. Começou a busca em coisas simples como filmes de comédia e Stand-ups, depois passou para shows de sexo e suspensão, tatuou as costas inteiras mas nada ativou nenhum  sentimento real dentro dele. Em tudo os olhos ficavam vidrados analisando friamente cada pedaço dos espetáculos assistidos e tentando associar os mesmos a conceitos que ele aprendera a simular na faculdade como humor, alegria, dor e prazer.
Nada. Não sentia nada.
Caminhava solitário e bem vestido pela noite da cidade buscando alguém que fosse igual a ele. Não tinha amigos de verdade mas muitas pessoas o tinham como eterno confidente então seu telefone insistia em tocar ou os bares que ele frequentava  insistiam em estar sempre com algum presente que lhe conhecesse e desejasse confessar-lhe todos os sentimentos do mundo.
“Eu mataria para ter aquela mulher novamente, Pedro. Mataria para voltar a sentir alguma coisa como senti com ela.”
E foi no final dessa noite, voltando para casa que um mendigo morreu com o pescoço quebrado pelas mãos de Pedro enquanto ele tentava sentir alguma coisa pela morte. A morte em si não havia lhe trazido nada de bom, mesmo depois de tentado diversas maneiras diferentes, diversos corpos diferentes. Mesmo depois de ter torturado todo tipo de ser humano, de mendigos a abastados, de freiras a putas, de padres a pedófilos de adultos a bebês. Desistiu da morte e da tortura seguida de morte depois de ter tentado as formas mais violentas, virulentas e repulsivas que um ser humano poderia imaginar. Mesmo depois de alimentar uma mãe com sua própria cria semi viva a ser fatiada defronte o pai que chorava e suplicava por clemência ele nada sentiu e resolveu abrir mão desse método falho. Limpou o porão que usava para tais práticas, moeu os restos mortais e alimentou seus quatro cachorros com essa família de retirantes que havia visto naquele “homem tão bondoso” a chance pro filho que viria a nascer. Tomou um banho, vestiu sua melhor roupa e foi para seu bar pensar em outra forma de sentir alguma coisa.
Pediu gin e tônica pela maneira como o amargo mexia com suas papilas gustativas e a como o gin turvava levemente sua visão e lhe causava uma lentidão racional. Enquanto respondia mecanicamente as perguntas do seu pseudo amigo bartender uma morena adentrou-se pelo bar. Ele sabia que ela era uma nota 10 para os padrões de beleza dos dias atuais mesmo ele não podendo achá-la bela já que a beleza na verdade não é vista, mas sim sentida. Seu sucesso com as mulheres era claro. Um ótimo ator sabe como impressionar qualquer ser humano, principalmente uma mulher que busca eterna e avidamente por alguma coisa que valha a pena chamar de amor. Ela pede um drink, ele oferece um cigarro, ela pede uma saideira, ele oferece um amasso, ela pede mais um sorriso e já no hall de entrada da sua casa ela sente-se completa e loucamente apaixonada por ele. O homem perfeito de todas as maneiras, do bom gosto aos trejeitos “naturais” nos momentos exatos, o carinho bem dirigido, a pegada forte quando ela queria fraca, essa selvageria arrogante e prepotente a deixa de joelhos e de joelhos ela lhe sorve o pau que minutos depois lhe fornece os mais longos orgasmos já sentidos. Líquidos escorrem das suas pernas, dos seus olhos. Ele olha para aquele corpo descontrolado completamente controlado por ele babando como uma débil mental que não comanda mais a própria vida e sente um asco tremendo.
Para e pensa.
Sentiu um asco tremendo.
Ela olha assustada para ele.
“Sai daqui. Você não vale nada.”
“Mas, mas, mas... eu te amo. Vo-vo-você é a melhor coisa que já me aconteceu”
Ele acende um cigarro e prepara mais um drink enquanto pega as roupas dela e junta com cuidado na cama.
“O que você sente, mulher?”
“Como se você tivesse me levado para o melhor lugar do mundo e depois me matado por dentro. Sei que depois de você nunca mais vou sentir mais nada”
“Exato. Agora se veste e sai.”
Ela já sai sem um sorriso no rosto, sem expressão de dor nenhuma, sem mais nada por dentro.
Ele vai até a varanda e um leve sorriso desponta em sua boca.
Ele sente alegria.
Dias depois ele volta àquele mesmo bar e lá está ela. Sentada tomando um gin e tônica com os olhos apagados a conquistar algum homem. Algum homem que estará lá na semana seguinte com os olhos apagados pronto para apagar a alma de mais alguém.
E assim Pedro descobriu como sentir e a cada semana sentia com uma mulher diferente, sentia o asco do ápice da entrega e da demência feminina e a alegria quando via a morte em vida daquele ser.
Pedro secava as almas para inundar seu corpo ausente de espírito.

14.8.13

entre mim e ti.

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Não é uma obrigação.
Não que não devesse ser, mas escrever não é uma obrigação. Talvez se fosse eu já estaria com algumas dezenas de milhares na minha conta mas como eu vejo a escrita como um hobby – tipo sexo – faço o possível para não ganhar dinheiro com isso. Entenda da seguinte maneira:
 Se você fosse um ator pornô, ainda teria o mesmo paazer em seduzir uma mulher para levá-la para a cama ou não aguentaria mais por que já viu demais “daquilo” no seu trabalho?
Se você trabalhasse no Mc donalds ainda comeria lá? Entende?
            Talvez se fosse uma obrigação eu já teria escrito o maior best seller dessa geração mas estaria a pagar noites e noites de psicanálise com alguma mulher muito sensual que eu faria questão de transar simplesmente por que não aguentaria chegar em casa e escrever uma linha honesta que fosse. Danem-se as vírgulas e o bom português. Se eu fizesse o que eu amo talvez fosse infeliz!
Essa é uma puta de uma discussão ego-filosófica.
            Não escrevo por ser uma obrigação mas por ser uma necessidade. Mesmo tendo uma mesa defronte a uma janela e pouco abrigo para as mãos, escrevo agora com os dedos congelando, a janela aberta e muito vento a castigar um peito coberto por malhas e mais malhas de lã. E ainda algumas mulheres pensam que escritores são figuras sensuais a escrever com copos de conhaque ao lado e um jaleco cheio de estilo durante o inverno, olhando para a janela e “sentindo” esse vento que o castiga como as mulheres sem coração da sua vida já o fizeram. Ou então no calor extremo do verão bebericam seus Mojitos com as regatas brancas e suas cuecas boxers sempre tão limpas a pensar que o sol lhe faz feliz assim como aquela mulher já o fez antes do inverno chegar e o calor do abraço transformar-se no simples e puro açoite do vento gélido.
            Não.
A vida de um escritor está longe dessa visão bucólica de poetas a morrer de tuberculose na beira de rios nos velhos e bons tempos dos poemas brasileiros. A vida de um escritor está mais para o simples e puro desespero dos loucos do asilo ou na pura idiotice e ignorância dos velhos do retiro. Estamos a sofrer da forma mais mundana possível, a sentir o frio apenas como frio e o sol apenas como sol e as mulheres, essas não, essas sentimos como elas devem ser sentidas em todo o seu máximo de dor e sofrimento e dicotomia entre a alegria plena quase milagorsa e a tristeza plena onde as pernas queimam já inseridas no fogo do inferno.
            Não vejo um futuro e nunca vislumbrei minha vida após a primeira noite sofrendo por uma mulher. Descobri ali a minha verdade a a minha sina. Sempre sofrer e usar desse sofrimento como verdade eterna. Bebo na alegria como assim caminho na felicidade. Admiro o mundo, as pessoas, os dias e as noites mas apenas o faço para poder seduzir a próxima mulher a qual eu farei 100% feliz e ela me fara 100% miserável. Meu alimento mundano é a satisfação do ser superior a mim. Assim como um vassalo entrego meus serviços a qualquer vampira que deseje sugar de mim todos os prazeres que eu possa oferecer assim como o amor que terei eternamente por ela e saia mais forte, mais mulher, mais inteira enquanto eu debato-me mais uma vez por copos e amizades e novas mulher na busca mais uma vez daquela que esteja pronta para entregar-se ao êcstase que posso oferecer pela simples troca de um sofrimento real e profundo que dê sentido à felicidade e liberdade que é a minha vida.
            Sofro por que é de lá que me vem a alegria de buscar um novo sofrimento.
            Sofro por saber que essa doação que faço de mim mesmo eleva aquele ser já superior mas perdido em tudo que lhe consome como sociedade, cultura e próprios sentimentos a lhe tapar a visão de como é simples a vida para aqueles corpos rodados, redondos e salientes.
            Não se bebe sem um amor.
Uma garrafa nunca seca assim como a perna nunca queima se você não possuir um amor a ser esquecido. É o esquecimento daquilo que te consome que te leva adiante, para frente e avante (Rá!) o mais rápido possível para que você deixe toda a dor e toda aquela babaquice que um dia você chamou de amor no buraco escuro do esquecimento. E nessa caminhada, nessa busca pelo lugar mais distante daquilo que um dia você já esteve, BAM! Você encontra novamente aquilo que vai lhe derrubar mais uma vez. O eterno confronto do homem que busca sempre fazer de todas as mulheres da sua vida a única.
            E depois de um tempo, depois de passar anos autodestruindo-se por tudo o que você já viveu, você abre os olhos como um zumbi e caminha pelo mundo sem nunca mais pensar em fazer uma mulher feliz. Esquece a felicidade e o sofrimento e no piloto automático da vida caminha brincando e jogando com sentimentos alheios sem mais possuir um próprio e, vejam lá, chama isso de crescimento, de amadurecimento.
Bullshit.
Vamos chamar isso de medo e vamos deixar esse medo de lado e bater na porta daquela moça que vive naquele apartamento tão bagunçado quanto o seu “eu” e vamos nos machucar novamente. Não quero a eternidade e talvez já pense em começar o que eu tenho certeza que tem um fim esperando que você seja aquela mulher verdadeira que quando eu surtar nas minhas bebedeiras e besteiras a esperar que você me deixe, pegue minha mão, me coloque no colo e diga
-       “Shhhh, eu te amo também. De verdade.”
Eu e você, moça do apartamento bagunçado, somos como esse conto que eu acho que deveria terminar por aqui mas não acaba por que eu não consigo ver um final assim tão simples e tão óbvio.
E ai depois de muito tempo num silêncio extremamente  inapropriado eu coloco aquele som que a gente nunca ouviu por que sempre estamos a discutir nosso passado e nossa relação e em como eu já te machuquei e como você nunca percebeu as sutilezas do meu amor mesmo nas atitutdes menos cabíveis de amor como palavras duras e silêncios inexpressivos. Eu que sempre esperei que você fosse aquela mulher que em toda essa minha revolta pessoal e silênciosa pegasse em minhã mão e dissesse baixinho no meu ouvido:
-       “Shhhh, eu te amo também. De verdade.”
Mas não, você nunca disse e eu também nunca lhe joguei na parede com força suficiente para fazer você esquecer esse homem do amor eterno e escondido que sou e lembrar simplesmente que sou homem e lhe amo ao ponto de ser violento, mulher desse apartamento bagunçado que um dia ainda hei de arrumar como irei arrumar-nos.
Existem tantos erros nessas palavras como existem atitudes erradas entre nós. Agora que jogo o jogo da verdade e você coloca de lado a sinceridade, eu fico aqui ouvindo músicas que quase me levam a rimas embraçosas. “Jogo o jogo da verdade e você coloca de lado a sinceridade”. Me diga o quanto piegas é isso, o quanto Clarisse Falcão ou “a melhor banda da cidade” é isso!? Sinto-me perfeitamente encaixado no extremo absurdo do que é estar ao seu lado e um dia, num almoço de família, que já conheço a mais tempo do que a sua vida, levante, bata no copo com o talher sujo de qualquer comida e diga para todas as famílias
-       Essa é a minha namorada.
E você em toda a sua incorência e vergonha que lhe cabe tão bem nesse corpo alto e esbelto com esses seios que você insistiu em melhorar me puxe pelo braço após os sons de espanto e aprovações e diga baixinho no meu ouvido só pra me fazer parar de tremer
-       “Shhhh, eu te amo também. De verdade.”
E ai na segunda música eu lembro quem eu sou e guardo esse “eu” que fala tanto de alguém pra procurar qualquer vagabunda que me silencie e faça eu esquecer que não exite amor em São Paulo nem em lugar algum.
Talvez só entre eu e você.

           

3.8.13

De A a Z

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Antes aludia e adiava a amante. Adiava a água e advinha o álamo que alcançava a aceitação através da amada agora apegada apenas ao assunto advérbio, adjetivo e adendo. Antes abastecia a alma com amor, agora adianto a arma e atiro a
bala beijada pela boca besuntata de besteiras. Brinco com a besta banalizada e batizo-a batendo o bastão bastando a bela bunda a brincar de bumbum. Baixo ao bar bêbado e
canto uma canção corajosa. Calmo caminho com cuidado e calo ao concentrar o corpo no calor do cabelo a cobrir o colo. Carinhosamente cuido da cama que cabe o coma e
deito o desejo dentre os dentes do distúrbio. Deixa dormir a demência, o doente, a dor de dente. Demora no devir, descobre o dorso e a delícia do desmentir a destruição da dádiva. Deixa a dor doer e dorme
enquanto o estranho encontra as entranhas da escolhida e envolve estilo encharpe. Escolhe, evolui, existe e enamora o encontro. Essa existência exige eméritos e ermos, estudiosos e estudantes, eruditos e excluídos. Exclui o entre e esteja entre as
falas da família que falta força. O fluído da fêmea que fortalece a fronteira da forma.  Flui na floresta a fuçar as flores e fornicar com as fadas. Fere a falsidade da felicidade e fita o fenômeno feliz fechando a fechadura e folga a
gola para o gole. Gosta do gosto? Gosta do gesto e gesticula com as genitálias da grandiosa gata que geme gostoso. Goza o gozo gélido da grotesca gigante! O gelo na goela é
hoje o que há do que houve. Histeria humana e histórica humildade do homem da horta e das hortaliças. Habito o que herdei com harmonia e com horror. Hábil como um hipopótamo, herege como um homicida
incunbido das incongruências que incomodam o inconsequente intuito de inventar a idiotice. Idiota que idolatra as idiossincrasias da igualdade infundada. Impressiona-se com a iluminação mas o inferno infesta-se de infâmes infelizes. A Imaginação ilustra a ingenuidade do imigrante imerso no impacto do império. Impostos impostos no íntimo do que é indizível e inflamado o indivíduo impõe o instinto e implode em imensas, inúmeras, impossíveis e até íntimas insanidades que
jamais jorrarão o jato do julgamento. Juntos sem justiça, juz ao juramento jogam de Judas e judiam os joelhos no jóio. Jocosas jardineiras jogam jóias aos jacarés e com jeito juram aos jumentos.
Levante-se e leve o líquido à luz, Leviatã das leis laicas e lamba as larvas com labaredas lascivas! Lascivo lábio lotado de ladainhas e de leituras lavadas e levadas. Ladrão que lança a lança nos líderes e é linchado pelas libélulas. Lutamos as lutas longínquas e largamos o laço ao léu. Leviana liberdade de lixeira lavrada de loucas loucuras a lotar os loucos leprosos.
Mas a maravilha mantêm sua manha e mostra o momento. Morde a mulher e mascara a morte que movimenta-se meticulosamente, menina manhosa manifesta-se manchando e melindrando sua marca pelo mundo. Mundanos e macabros machucam a mente, mexendo, manejando, munindo-se de munição maldosa. Maldade que maltrata a matilha da mulher Madalena. Madrugam os menestréis e mostram que a mágoa molha os malandros mas os molda na musicada maneira de mentir.
Não necessariamente na noite navegam os negligenciados nutridos de nada. Nunca notam a nuca  nua das namoradas e as nuances das nádegas. Nasce na natureza sem a necessidade de nela necrosar. Néctar da novidade nefasta de ninguém! Não nomeamos nenhum navio que nos norteia e natimortos notamos a
obscuridade e a obsolência do objeto e do objetivo. Oramos ontem e olhamos onde obedecíamos a ordem. Aos otários e oriundos ocorre que ocupam o oculto com seus ovos de ouro. Odeiam sem observar o ódio e obedecem sem observar o olho. As olheiras ofendem-se com os omissos da oposição e oxigenam
parte das pacientes pessoas peladas de provérbios e pudores. Putas passeiam pelas pautas dos poemas podres e possessivos  a prender prendas perfeitamente puras. A pureza da pele pede por prazer mas prefere pedir por pudor. Paga-se o preço do pecado com pés pungidos e pinga do padrasto. Perdidos, pacíficos e passíveis de problemas que palavras podem perder.
Queremos a quimera queimando as queixas, as questões e as queimaduras de uma quebrada qualidade. Queremos quartos quentes e queremos questionar o quanto quisermos quando nos
resta restringir o remédio para os resilientes. O resto recosta-se ao relento e roe-se racionalmente no rancoroso e real rasgo de rasuras. Ratos roem a roupa do rei de roma e recorrem à ralé recebendo recados e receios e requintes.
Sinto saudades do silêncio
Tenho a tentação de terminar o
Universo de unicidades e
Verdades veladas

nos
“Xiszes” da
Zombaria.



28.7.13

É o frio.



Faz frio aqui fora, pensa Brian, frio demais para querer ficar bêbado só de camisa no bar da esquina.
A realidade andava estranha naqueles dias de inverno misturado com o inferno dos astros.
Inverno do inferno, pensava. É o que baiano pensa que rola se você peca.
Riu sozinho por alguns segundos e pensou em ser roteirista de comédia mesmo sendo um escritor de quinta categoria que nunca chegou nem perto de publicar alguma coisa. A não ser a publicação paga de um livro. Proposta que rapidamente ele recusou desligando o telefone na cara da editora sem resposta alguma. Eles tentaram contato mais algumas vezes pedindo para ele reconsiderar mas ele nunca mais respondeu.
A realidade aparecia estranha como no livro 1Q84 mas o frio continuava real como era em Londres. Naquele caminho que muitas vezes ele já fez passando pela catedral do São Paulo, cruzando a ponte do milênio e caindo de cara no Tate moderno.
Preciso andar, pensou ele. Aproveitar que já tenho quase trinta anos e andar por Moema inteira, relembrando cada esquina que eu já levei um fora de uma garota, sujei uma calçada ou estourei uma bomba de 5000 no mês de Junho. Redescobrir aquilo que eu sempre destruí ou me destruiu. Cai bem.
O Zé prepara mais uma dose de conhaque levemente aquecido que esquenta o corpo começando pela parte mais baixa das costas e sobe até as orelha corarem. Mais quente que qualquer mulher com quem ele já tivesse dormido, menos uma. Mas isso só vem mais pra frente.
Ele sai pela rua. Desencana de sentir frio e passa em casa – que fica a uma quadra do bar que estava bebendo – pega um casaco e começa a andar. Relembra os tempos de Londres quando saia a passear pela madrugada descobrindo novos antigos lugares. É o prazer da calmaria noturna de viver a cidade enquanto todo mundo tenta dormir feliz.
Ele passa por moema, cruza o parque do ibirapuera pela Avenida República do Líbano, sobe uma rua aqui e outra ali parando em alguns lugares pra reabastecer a pequena garrafa de metal com conhaque e acaba na frente do prédio dela.
Ela, pensa ele, é a razão de quase toda a loucura da minha vida.
Sem saber o número fala com o porteiro, sonolento e possivelmente tão bêbado quanto ele. Ele não sabe, não lembra.
É uma magra, gostosa, bem vestida de peitos grandes, diz Brian.
Ah! Sei, Pô! É a Patty! Delícia de moradora! Responde pegando o interfone.
Brian pensa em ficar bravo com o porteiro pela falta de respeito mas deixa de lado. Realmente Patty é uma delícia de moradora.
Ela dorme tarde e rapidamente abre a porta depois que ele foi liberado e subiu o elevador. A casa dela tem uma bagunça particularmente apaixonante.
A porta abre e Brian para de encarar a porta branca deixando de lado uma trip semi alucinógena com cores que não existem nesse mundo e frequentam o branco quando você olha muito tempo para ele.
Que que você tá fazendo aqui, ela pergunta apoiando a cabeça no braço que estendia-se para cima segurando a porta.
Tava bêbado, andando perdido e acabei aqui. Tô pensando demais em você e cansei só de pensar. Precisava ver, ouvir, falar, pegar e beijar.
A mão abraça cintura livre do braço levantado e ela desponta um sorriso enquanto os olhso se fecham. Os peitos encostam-se primeiro pra depois o corpo inteiro encontrar-se num beijo longo, demorado, sincero e um tanto quanto sentimental.
Tava com saudade, Patty. Você sabe que eu te amo.
Cala a boca, seu conquistador barato. Sou apaixonada por você desde que sou pequena. Você só me usa. Entra, vai. Senta ai e toma um drink comigo. Tô cansada de ficar sozinha também, ela diz com um sorriso bobo na cara deixando o hálito de vinho tomar conta do ambiente.
Ele senta-se e ela senta-se sobre ele, frente a frente, encarando-o enquanto conta do seu dia e pergunta perguntas supérfluas com os joelhos apoiados ao lado do seu corpo e a mão na cara, como se o observa-se em busca de alguma verdade ou sorriso ou palavra que ele entrega aos rios.
O tempo já passou tanto nessas duas vidas e eles já estiveram lado a lado tantas vezes e jamais sobrou-lhe hombridade para declarar um amor assim como jamais ela tinha estado tão mulher como está agora. O rosto lindo continua lindo mas os olhos já ganharam aquela confiança que ele sempre esperou, que ele sempre quis ver.
Entre alguns beijos e carinhos eles acabam com uma garrafa de vinho.
Entre beijos e carinhos eles acordam no dia seguinte sem querer sair da cama.
Sem querer sair.



13.6.13

Deixa

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Deixa.
Deixa a vida correr.
Para de tentar controlar aquilo que não tem controle.
Para.
Pensa e observa e conversa e seja você mesmo, sincero, verdadeiro, real.
O mundo já anda cansado das suas máscaras, eu ando cansado das minhas máscaras.
Todo o mundo, quero dizer. Seja real, seja você mesmo, expresse suas ideias de maneira que elas sejam condizente com você.
Deixa o suor escorrer da face, deixa aquela piada besta sair da boca, deixa o elogio escapar de manhã e descansa a cabeça sossegado no travesseiro a noite.
Meu desejo é simples e o seu também, lá no fundo, o que você quer mesmo é só uma vida que deixe uma pegada bonita no mundo. Pra isso não precisa de muito esforço, precisa só de percepção do que é real e eterno e do que vai morrer naquilo que a gente insiste em chamar de amanhã.
Vai pra rua gritar se você tem vontade, faça parte de uma ONG, ajude os animais, divirta-se como lhe apetecer e se seu apetite for destrutivo para você mesmo, foda-se. Nem você é dono de você mesmo.
Aceite as consequências dos seus atos com a coragem que você teve para realizá-los. Não seja covarde perante as cagadas que você fez e chame isso de experiência. Gosta de fazer merda e quer repitir? Ok, sinta-se à vontade. Quem sou eu para discordar dos porcos que gostam de chafurdar na lama.
Se o seu luxo é o lixo, banqueteie-se.
Não esconda seu sentimento por ninguém, não leia revistas de auto ajuda que explicam que para conquistar uma mulher você deve ignorá-la. De novo, seja sincero. Não ache que o homem da sua vida não te deseja se em momento algum você expressou esse desejo. Abra-se para o mundo sem medo das porradas que você vai tomar. E você vai tomar muitas.
Chora quando tiver vontade naquela propaganda de margarina ou naquele projeto gigante que você fez e deu certo ou completamente errado. Dance como um idiota. Expresse-se da forma que você quiser por que arte é você viver independente do que os críticos falam.
Ame sem pensar em traição. Não somos monogâmicos e lutamos uma vida por isso. Fique sossegado, se você ainda não foi corno, um dia ainda vai ser. Se você já é corno, sossega, todo mundo é. Mulheres pensam em sexo assim como os homens e tem desejos que ultrapassam o amor pelo parceiro. O sexo é cego, a paixão enloquece e as entranhas assumem o controle daquilo que um dia lhe disseram ser errado e assim aceitamos essa verdade. Essa verdade de tantos anos atrás talvez mais velha do que o conceito de terra plana.
Você não é dono de ninguém. Entenda que amor é liberdade e seja o primeiro a ser livre e nessa liberdade seja prisioneiro se assim lhe apetecer.
Olhe, observe, contemple. Desligue seu celular, converse com quem está perto, encontre quem está longe, seja mais real e menos virtual por que um abraço ainda vale mais do que um smile.
Crie um texto idiota como esse, escreva um livro como Machado de Assis ou Paulo Coelho, beba como Buk ou seja Vegan e só coma as maçãs que caiam do pé, fique suado, tome banho gelado no frio e experimente o novo sem ter medo do medo, do novo, do sofá diferente do seu.
Tem um mundo a sua volta que não é o seu. Entre sem ser convidado, faça bagunça e deixe um bilhete convidando alguém a bagunçar o seu. Conviva.


26.4.13

Pra você. Sem você.

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E da mente vai esvaindo qualquer forma de lembrança de você. Lembranças daqueles dias que a gente sentava para beber, ora os prazeres de um bar simples da Zona Sul, ora um drink sofisticado dos Jardins e deixava o rosto dolorido de tantas risadas e a mente renovada depois de tantas conversas. Nunca menti e a sinceridade sempre foi um defeito nesse caso. Me joguei, nadei de braçadas numa piscina de cacos de vidro.

Mas tudo esvai. Não tenho mais uma memória clara de você como tinha até certo tempo atrás. Vejo seu sorriso por fotos mas já não me lembro do som da sua risada. Leio suas coisas banais mas já não lembro dos tons da sua voz quando você me fazia rir com alguma besteira ou quando pedia um abraço e deixava escorrer uma lágrima no meu ombro sem nenhuma razão aparente. Reconheço seu corpo desnudo nas imagens mas minha mão já não lembra mais o toque suave da sua naqueles momentos que você estava do outro lado da mesa e nos tocávamos. 

Eu na ânsia de ir mais longe, você na paúra de ir adiante.

-       Não quero que você me machuque – dizia você enquanto olhava para o copo.

E nesse medo quase irracional, quase bem articulado, você nunca entendeu que toda a minha intenção era justamente te machucar da melhor maneira possível. No limiar tênue entre uma bela surra e o êxtase do prazer. Queria te machucar quando mordesse seu ombro e subisse beijando-lhe o pescoço como um pedido de desculpas que faria seu corpo todo tremer. Queria arder-lhe a anca com um tapa enquanto acariciava a parte de trás da sua cabeça segurando seus cabelos com uma pressão dominante. Queria, talvez, até sangrar-lhe levemente o lábio enquanto você me sangrava as costas com suas unhas perfeitamente feitas para aquele momento.

Queria machucar sua mente, quando lhe agarrasse por trás, apertasse seus seios e sussurrasse no seu ouvido:

“Vou te foder hoje como você deve ser fodida.”

E ali, naquele momento, sua cabeça não saberia como reagir mas o que encontra-se no meio das suas pernas já teria a resposta na ponta da minha língua. E quando tudo acabasse e você entrasse no carro como mulher direita e independente que  você é, passaria a noite em claro por que partes do seu corpo não conseguiriam dormir talvez nunca mais. Mas você abraçaria o travesseiro, abriria um sorriso e dormiria com o medo de que talvez agora, talvez nesse momento que eu já lhe possuí por inteira e já conheço cada pedaço de você, por dentro e por fora, talvez agora eu parasse de lhe gostar e lhe machucasse. Não lhe retribuísse aquilo que talvez – por que nem você saberia – você quisesse me dar.

Mas no dia seguinte nos veríamos e você teria a certeza de que tudo o que a gente teria seria a diversão, o tesão, o prazer e os copos de cervejas combinados com risadas quase loucas.

Mas já não lembro mais de você e enquanto acabo essas linhas sobra apenas um vazio dentro de mim. Sobra em mim apenas a sua ausência que deixa esse buraco ausente de qualquer sensação palpável de você. Enquanto deixo esse último registro de tudo o que poderíamos ter vivido mas você deixou passar por medo do amor, amor que talvez nunca viéssemos a ter, não consigo nem mentalizar os prazeres que teria com você. Escrevo para você, mas sem você. Escrevo com uma modelo mental criada com recortes de fotografias sem valor nenhum que você tira na frente do espelho urrando por elogios.

Repito.

Jamais menti para ti e jamais mentirei. 
Até mesmo quando perguntar o que eu sinto por você, num futuro não muito distante, serei compelido a dizer “nada”.

Mas deixando a certeza que poderia ser muita coisa.